No último dia de estadia em Barcelona, consegui finalmente visitar o mercado mais conhecido da cidade. A variedade e tipologia dos presuntos e dos múltiplos fritos é o seu traço cultural mais original, ilustrando de forma clara que os mercados resistem à globalização, não obstante uma ou duas bancas de frutos secos iguais às que se encontram em todo o lado.
Entrar no mercado da minha cidade é assim viajar por si só na história, metade do espaço é ocupado pelas bancas de peixe e é lá que se respira o que é esta pertença ao lugar. É também prova de que é possível que o deslumbramento não seja uma coisa volátil e exclusiva da primeira vez, que possa acontecer uma e outra vez, sempre que levamos os olhos da alma a passear. Saio com os sacos repletos de beleza e os bolsos mais vazios mas também com um contentamento que estou longe de sentir quando saio de um supermercado. E nem me importo com os dez minutos que esperei porque o vendedor discorreu longamente sobre o tamanho descomunal das cerejas com o casal que estava à minha frente, apenas aguçou a minha vontade de as provar.
Poderão considerar que isto não é bem um passeio, mas se caminho, apanho sol, vejo cores e trago renovação e ainda resisto, isto deve se poder classificar nesta categoria. Perto de vós há certamente um mercado, não o deixem morrer, nem transformar-se num gigantesco recinto de restaurantes e casas de comida de uma cadeia qualquer, uma coisa é poder comprar-se um acepipe, outra é transformar todos os mercados à imagem do Mercado da Ribeira (uma mostra de bancas de chef promovida por uma revista de Turismo).
~CC~
Belos passeios, CC. Por que razão não hão-de ser passeios esses que fazemos pelos lugares que nos circundam?! Se deles retirarmos prazer...
ResponderEliminarO mercado do Livramento, segundo ouvi dizer, depois de retocado ficou uma maravilha. Na minha terra fez-se um mercado novo, mas não há quem queira vender ali. Os vendedores mais velhos reformaram-se e os jovens fogem todos da aventura agrícola; a banca de peixe morreu com a vendedora. O mercado está às moscas. Mas existem duas peixarias e os proprietários deslocam-se diariamente à lota de Setúbal.
Não entendo a necessidade de igualar todos os recintos. Sem contar que as peças vendidas nesses mercados de luxo têm preço elevado. Desconheço o de Barcelona. Contudo, reparei que em Espanha as cerejas à venda são de facto maiores que as nossas e se vendem sem o "pé". Não comprei, fiquei sem saber se seriam ao paladar o que foram para os olhos.
Sim, as cerejas lá são assim, mas não as provei. Estas comprei mesmo no mercado do livramento, tenho tanto receio que também o queiram modificar...acho que o que o salvou estes anos foi o facto da população nunca ter abandonado o mercado, os setubalenses vão...não são apenas os turistas.
EliminarVisitar um mercado de uma grande cidade é uma forma de estar por dentro da riqueza de uma região e das suas ofertas de qualidade.
ResponderEliminarAbraço de amizade.
Juvenal Nunes
É tão bom não é Juvenal...como é o da sua cidade?
EliminarTambém eu gosto de mercados e feiras, e sempre que posso é lá que faço as minhas compras semanais. Tal como diz, saio, caminho, vejo gente diferente e trago qualidade e mais importante, produtos portugueses directamente de quem os planta, trata e colhe.
ResponderEliminarTambém gostava de ir assim, semanalmente...mas a vida ainda não me deixa, nem o estacionamento:)
EliminarNão devemos perder a oportunidade de fruir um momento de beleza... seja ela qual for.
ResponderEliminarUm abraço.
Concordo tanto consigo! Um abraço
Eliminaros espaços tantas vezes "vazios" dos hipermercados e outros conglomerados comerciais vieram roubar "espaço" e gente ao "calor" dos tradicionais mercados.
ResponderEliminarmas continuo a gostar dos mercados de bancas repletas de produtos viçosos muitas vezes fruto da labuta de pequenos produtores que teimosamente continuam a querer brindar-nos com qualidade
Pois é, temos que nos esforçar para não os perdermos. Um abraço
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