Ele não disse assim mas foi o que quis dizer, que nesta escola era tudo meio louco, que dançávamos à volta do sobreiro, naquele extenso relvado que já foi verde. Confirmei, dançámos, contámos histórias, lemos poemas, alguns talvez tenham chorado.
E de repente deixei de o ouvir, a ele e a todos, os meus olhos enfiaram-se no coração daquela árvore que me conhece há 27 anos. O que ela sabe de mim. Olho-a e acho-a infinitamente bela, mais bonita do que alguma vez a vi, embora esteja mais frágil.
Não me deixes, pensei. Não morras, não desapareças, não definhes.
E este pensamento mostrou-me o quanto este medo de perder as coisas, as pessoas que mais amo é o buraco negro em que tantas vezes caio. Nas outras sou eu própria a desparecer.
É só um minuto entre mim e o sobreiro, depois alguém me chama. Chamam-me sempre por dois nomes, ou às vezes só um ou às vezes só o outro. Não sei como consigo sempre responder. E rir, como consigo sempre rir e nesse riso enfiar todos os buracos negros.
Gosto de sábados, gosto muito do sobreiro.
~CC~
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