No último 9 de outubro, em 2025, escrevi "este dia que acordou cinzento".
E hoje digo: este dia que acordou como amavas, cheio de sol.
Mas acordou sem ti e ao acordar sem ti, também é afinal um dia cinzento. De todo o amor que perdi e toda a perda do amor, seja de de que tipo for, é uma dor inigualável por nos deixar mais sós, o teu amor é o que mais falta me faz. Talvez por o ter conhecido tão tardiamente, quando já por ele não esperava. Talvez por ser a recuperação daquele desamor mais básico que creio ter afetado a minha infância e adolescência. Talvez por conseguir, por fim, entender-te.
A noite, agitada, trouxe-me em sonhos um bebé do qual eu cuidava. Estranhos sinais. Quando cuidei de ti eras frágil mas não eras igual às crianças, inteiramente diferentes os cuidados dos quais os velhos necessitam. A única coisa igual é que uns e outros chamam pelas mães e nelas reconhecem essa porta que vai de um mundo ao outro e se agarram a essa memória básica como o chão do qual podem nascer flores.
~CC~
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