Imagino a tristeza profunda de Hillary Clinton. Estava com ela, claro. Mas como muitos, mais pelo que se lhe opunha do que por ela própria, penso que é nisto que a derrota começa.
É uma tristeza que nos varre a todos, à excepção de uma maioria que em silêncio votou e decidiu. O meu profundo respeito pela Democracia não permite que os insulte. Mas permite que me interrogue sobre as muitas falhas, algumas estão na Educação e na Cultura. Acreditar que o homem é contra o sistema, o homem vive dentro do sistema, apenas o discurso lhe foge para o popularucho, isso parece chegar para acreditar que é do "contra".
E a mulher. Queria muito gostar dela pela solidariedade feminina que corre no meu sangue. Mas tinha dificuldade, o meu afecto tolhia-se ao pensar nela. Como milhares de pessoas, sentia a falta de autenticidade. Dizia muitas vezes que ela tinha começado a perder no dia em que aceitou aquele marido, no seu perdão estava a fraqueza dela. Pensava muitas vezes em como é possível não ter virado a mesa, fechado a porta, começado nova vida. Tentava, contudo, fazer um exercício típico dos europeus: separar a vida privada da vida pública. Esta separação que nos é muito cara não tem qualquer eco na maior parte do mundo. Ela esforçou-se muito, merece a nossa consideração por isso. Contudo, o outro candidato do partido democrata teria sido infinitamente melhor. Não importa que fosse homem, aquilo que defendia era melhor, ele era melhor.
Já o tinha dito aqui, o século XXI avizinha-se mais difícil do que a segunda metade do século XX, vivemos alguns tempos de paz que nos trarão saudades. Os braços, contudo, não se podem baixar.
~CC~