Rompendo medos, consegui vê-la. O equipamento é impressionante, como é que os profissionais aguentam aquilo horas a fio. Depois de 15m eu mal me aguento e faço um esforço enorme para conseguir suportar.
Agarro-me aquela parte dela que é ainda a minha mãe, nunca lhe vi os olhos tão verdes, de vez em quando ainda capazes de exprimir sentimentos. outras opacos, longe. Agarra-nos a mão. E é só. Sabemos que sofre e tudo tentamos para diminuir isso mas sabemos perfeitamente que não o conseguimos.
Os sentimentos são extremamente ambíguos, entre o querer que fique connosco mais tempo para usufruir um bocadinho do que ainda gostava da vida e nós dela e a vontade que não sofra mais e que a deixemos ir (sabendo que isto é que não está nas nossas mãos mesmo que o quiséssemos). No mesmo dia, às vezes na mesma hora, experimento a esperança na recuperação vagarosa mas plena e o desalento por imaginar que nada será como antes e que talvez ela preferisse partir. Penitencio-me sempre que não tenho esperança.
A casa, o vazio desta casa.
~CC~
