Há por aí alguém que me ensine a gostar do Inverno?!
O que vos encanta?!
Tenho os pés gelados.
~CC~
Há por aí alguém que me ensine a gostar do Inverno?!
O que vos encanta?!
Tenho os pés gelados.
~CC~
Havia um buraco enorme na parede de um prédio onde vivia alguém. Havia tráfico de droga a céu aberto. Havia muito lixo na rua. As mães vinham de robe e pantufas trazer as crianças pequeninas. Os jovens vinham de capuzes postos na cabeça, só tirados à porta da escola. E no entanto uma pequena luta em todos. Para uns vencer a vontade de não ir à escola, vencer a descrença na vida e na sociedade em geral, vencer aquela condição de nascer já dentro do gueto. Para outros fazer acreditar, ensinar mais do que tudo alguma esperança, uma missão também dura, um caminho a encontrar.
Há muito que não mergulhava num sítio tão escuro, ainda por cima o frio chegou.
Contudo, vou guardar pequenos apontamentos solarengos, nomeadamente aquela árvore dos sonhos.
~CC~
Lavei os olhos, cheios de cansaço, na serra e na água límpida do mar.
Ao meu lado o teu sorriso, esse beijo leve, que bom é termos feito a transição para esta amizade, não sem dor, não sem passado com tudo o que teve lá dentro de bom e mau. Havemos de conseguir.
As nossas pessoas, essas rochas em que nos abrigamos.
~CC~
Enrolo-me neste silêncio húmido, sabe-me tão bem ser um animal com concha. São demasiados os momentos em que tenho que viver sem ela, tão despida e com tanto vento.
~CC~
É tão estranho ver as mesmas reivindicações sobre o ambiente em que eu militava quando eu era jovem, as mesmas palavras de ordem, a mesma indignação. Pouco mudou realmente. A única coisa distinta é que hoje há separação de lixos, mesmo assim pouco sabemos sobre a eficácia da medida em termos de protecção e defesa do ambiente. Também inventaram mais energias renováveis, mas estas são rapidamente denegredidas antes de ser afirmarem como alternativa coerente e consistente ou são inacessíveis ao ordenado do cidadão médio. São obscuros os meandros da ciência e das soluções.
Entre o vulgar cidadão e os grandes grupos que lucram com a economia do petróleo há um traço comum. Eles acreditam que não vão voltar a este planeta, por isso o que lhes interessa é viver o presente, no caso dos primeiros com o máximo conforto, no caso dos segundos com o lucro máximo . As pessoas não se importam com o futuro porque o futuro é uma coisa longícua, para gerações que não conhecerão. O futuro que se desenrasque a si próprio. Para eles a crise climática é sempre para um tempo algures ou uma invenção de almas pessimistas. Recusam-se a ver os fenómenos que já estão a acontecer como provocados pela mão humana sobre o ecossistema terrestre. Talvez se os convencêssemos que afinal há mesmo reencarnação e voltarão para viver num sitio maldito, escuro, feio, sem água, onde o dinheiro de nada valerá. Eu que sempre achei que a vida acaba com a morte do corpo, dou por mim a pensar em pedagogias estranhas pró ambiente como convencer as pessoas que não há vida para além da morte e, se houver, é para voltarem aqui e passarem as passas do Algarve, que também elas habitarão esse futuro negro já que com os seus netos pouco parecem importar-se.
Já agora, tantos anos depois, como é que um director de uma faculdade chama a polícia?
~CC~