Seis anos, seis anos.
Uma manhã que se prolongou até à noite desse dia, dez horas a dormir no lugar frio, no lugar escuro.
E estou aqui, mais do que sobrevivente, viva.
Festejo isso que é tanto.
~CC~
Seis anos, seis anos.
Uma manhã que se prolongou até à noite desse dia, dez horas a dormir no lugar frio, no lugar escuro.
E estou aqui, mais do que sobrevivente, viva.
Festejo isso que é tanto.
~CC~
Iniciar o dia com crianças tão pequenas, mal me lembro como era conversar com elas, mas tento.
Então meninos, de que se vão mascarar?
Vamos de fruta saudável!
De quê?!
Eu vou de morango e ela de maçã.
Não estou preparada para estas respostas, fiquei sem saber o que dizer. E fiquei algum tempo a pensar no assunto, com pena destes miúdos que já não se vestem de fantasmas, bruxas, piratas, dragões...
~CC~
Não procures apenas as palavras certas mas o modo de as dizer. É no tom, na modulação, no gesto que as acompanha, no modo como olhamos, a forma transmite tanto quanto o conteúdo.
É assim que chega o calor ou o gelo, que chega a doçura ou a distância. Se eu pudesse escolhia apenas formas redondas de falar. Escolhia formas que fossem balões soltos no céu, formas que fossem peixes vagarosos a esgueirar-se entre os corais, formas que fossem sopros de vapor a cortar o frio.
~CC~
Cheguei ao inevitável estado de secura da alma, parece ter fugido de mim para me poder tornar a máquina das dez horas diárias de trabalho.
Oxalá volte, não gostava de ficar assim.
~CC~
Tarefas domésticas?!
Hesito na que será pior para mim: passar a ferro ou levar o lixo? Claro que esta é uma conversa para quem as tem que fazer todas e não tem separações entre os membros do casal, filhos, ou outros afins. Numa eventual divisão há pelo uma que não me importaria de fazer amiúde.
Então e vós?
~CC~