Que coisa linda ontem me aconteceu.
Entrei num lugar que há muito desejava, parece que já não se chama assim agora, mas para todos é e será sempre o hospital Júlio de Matos. Têm lá dentro a experiência de teatro terapêutico mais antigo do mundo, já lá vão mais de cinquenta anos e o seu fundador, que lhe chamou Teatro dos Sonhos, já não está mais entre nós. Conseguiram, apesar disso, continuar.
Não, não fui ver um espectáculo, fui estar com eles, em todo o pleno sentido da palavra, o que implica fazer junto. Comigo, o meu pequeno grupo de mestrandos. Uma das melhores manhãs da minha vida. Estão lá dentro pessoas como tu e como eu, as fronteiras são tão ténues entre o que nos equilibra e os que nos desequilibra.
Foi desagradável andar no gelo e maravilhoso andar no campo de flores. E quando chegou a caixa articulada, o nosso objecto cénico, não quis entrar lá para dentro por me lembrar um caixão e uma prisão, mas o meu pequeno grupo (entre os quais um residente jovem recente e uma mulher residente há muito tempo) ensinou-me que afinal podia ser um barco e que até podia voar nele.
~CC~