sábado, 9 de março de 2024

Dia de reflexão

 

O que eu gosto do silêncio, o tanto que eu gosto.

Enrolo-me na manta depois de um dia intenso de trabalho e sonho que o mundo está em paz.

E que até os beijos, se eles chegassem, seriam como pombas, leves e esvoaçantes, sussurros e murmúrios.

E a felicidade, se ela viesse, seria brisa primaveril com cheiro de jasmim.

~CC~ 

sexta-feira, 8 de março de 2024

quarta-feira, 6 de março de 2024

Apenas sobre flores

 

As flores rosa despertaram da sua letargia uma após uma até a copa se tornar uma mancha de cor contra o céu cinzento. Disseste que os velhotes sabiam que essas árvores floriam sempre antes da Páscoa. Eu não sei, o que aprendi sobre plantas e flores foi a régua e esquadro. Mas agora sei o que elas sentem, as flores.

 Compreendo o seu desejo de emergir, de respirar, de ser.

~CC~

domingo, 3 de março de 2024

Que coisa linda...

 

Que coisa linda ontem me aconteceu.

Entrei num lugar que há muito desejava, parece que já não se chama assim agora, mas para todos é e será sempre o hospital Júlio de Matos. Têm lá dentro a experiência de teatro terapêutico mais antigo do mundo, já lá vão mais de cinquenta anos e o seu fundador, que lhe chamou Teatro dos Sonhos, já não está mais entre nós. Conseguiram, apesar disso, continuar.

Não, não fui ver um espectáculo, fui estar com eles, em todo o pleno sentido da palavra, o que implica fazer junto. Comigo, o meu pequeno grupo de mestrandos. Uma das melhores manhãs da minha vida. Estão lá dentro pessoas como tu e como eu, as fronteiras são tão ténues entre o que nos equilibra e os que nos desequilibra.

Foi desagradável andar no gelo e maravilhoso andar no campo de flores. E quando chegou a caixa articulada, o nosso objecto cénico, não quis entrar lá para dentro por me lembrar um caixão e uma prisão, mas o meu pequeno grupo (entre os quais um residente jovem recente e uma mulher residente há muito tempo) ensinou-me que afinal podia ser um barco e que até podia voar nele.

~CC~


sexta-feira, 1 de março de 2024

Todos contam

 


Dar de beber à desventura (Fado Bicha)

Não é que goste muito deste estilo de música, mas a letra tem imensa piada, oiçam bem. E nesta luta, que já nem chamo pela Democracia mas pela dignidade humana, tudo e todos contam.

~CC~