Almocei um tamboril de caril com arroz de coentros. Coloquei a mesa como deve ser. Sentei-me tranquila e com tempo. Ainda bebi meio copo de cerveja-sidra.
Pensarão portanto que cedi por completo à insignificância do que tenho para dizer ou que estou em transição para um blogue de culinária. Quanto ao blogue de culinária, não houvesse trezentos mil e talvez me aventurasse, às vezes a família pede. A sobrinha no dia de Páscoa pediu a receita da lasanha de camarão que acho que inventei. Quanto à insignificância da minha pessoa acho que já disse tudo no post anterior.
Quero dizer-vos da importância da dignidade das pessoas que vivem sozinhas. De como a construir a cada dia. Uma das coisas mais importantes é cozinhar uma refeição completa, não ceder aos cereais, ao pão com queijo, à eterna sopa. Comprar comida, ter comida em casa, fazer comida, colocar a mesa, sentar à mesa, saborear. É verdade que às vezes não apetece e o "só para mim não vale a pena" paira ali algures na cabeça. Eu nem ligo a televisão, fico ali no meu silêncio entre cada garfada, feliz por poder demorar-me. E não acho triste o que tantos acham triste. Talvez por não acontecer sempre, talvez por pensar que se quisesse teria alternativa, talvez por não ter morado bem sozinha e ter por aqui de quando em quando duas borboletas (o A e a A) que muita companhia fazem.
Tamboril de caril com arroz de coentros, ainda pensei arranjar os morangos, mas prefiro a fruta a meio da tarde. O lanche, esse terá amigas.
~CC~