Essa maldita morte que vem buscar gente boa que nos faz falta. Nem sequer era meu amigo mas amigo de amigos meus. E ainda assim cobriu-me uma noite escura, uma sombra interior, um medo tão grande cá dentro. Talvez precise apenas de chorar.
Ou então é saber que aquilo que o levou tão perto esteve de me levar. E dizem que não raro volta. Os fantasmas nunca nos largam e já não são iguais aos que eu inventava na minha infância, tinha um como amigo secreto que só eu via e me protegia, agora são vários e vestem capa negra.
~CC~
A partir de uma certa idade os nossos telemóveis tornam-se um cemitério. Sei do que fala.
ResponderEliminarUm abraço.
É assustadora essa ideia! Um abraço
EliminarOs fantasmas que descreve parecem ter evoluído de uma fonte de conforto e proteção na infância para algo mais complexo e talvez opressivo na vida adulta, refletindo uma mudança na forma como as preocupações e a solidão se manifestam.
ResponderEliminarDesejo-lhe um bom fim de semana sem capa negra.
Sem dúvida Teresa, quero sacudir essa capa. Obrigada
EliminarNão sei se estamos a falar do mesmo, mas se estivermos, também eu gostava dele, e muito.
ResponderEliminarO que se passa com uns, não quer dizer que aconteça a outros. E já passou tanto tempo CC...Tudo vai correr bem. Confie.
Sobre o programa "O teatro onde a vida se reinventa", gostaria de tecer algumas considerações sobre a questão relacionada de como um homem se reinventa no teatro.
Em novo inscrevi-me num grupo de teatro amador, que já nem lembro o nome, talvez ligado à Incrível Almadense.
Nas primeiras sessões ensinaram as técnicas de respiração e colocação de voz. Sempre tive boa voz, com as técnicas aprendidas tornei-a poderosa de tal maneira que em conversas caseiras os familiares estão-me sempre a pedir para falar mais baixo.
Porque fui para o teatro? Porque era muito tímido e introvertido. Fui tentar o teatro como forma de terapia para combater esse acanhamento que me tolhia na juventude. Achava que vestindo a pele dum personagem me reinventava, me transformava numa outra pessoa, a pessoa que eu queria ser. E resultava durante os ensaios.
O pior era quando despia a pele do personagem e voltava a ser eu...
Mas, por vezes, não se pede a um actor que se transforme, pede-se que seja ele próprio.
Sobre a recente morte do actor Almeno Gonçalves, Luís Miguel Cintra tece o seguinte comentário:
"Almeno Gonçalves era muito amigo das pessoas, tinha um trato generoso. Era essa atitude mais sincera que lhe era depois pedida em diferentes projectos, dos textos dramáticos à comédia, e que dava sempre bom resultado porque advinha da sua boa natureza. Ao contrário do que se diz, no teatro não se pode mentir. Ele era uma onda calorosa, essencial à relação com o público."
O Joaquim sabe sempre tudo, já nem tento adivinhar como chega lá. Pela mesma razão fui para o teatro e tranformei-me um bom bocado, a vida levou me noutra direcção e ajudou no resto...mas a vergonha ainda me visita e tolhe muitas vezes. Quanto à doença, o medo nunca passa e arrisco muito continuando a exagerar nas doses de trabalho e chatice. Amanhã prometo-me pausar.
EliminarIgnorava a mprte de Almeno Gonçalves. Era um actor que gostava de ver actuar ou em entrevistas. Uma vez, julgo ter estado muito perto dele e até conversámos; mas estava disfarçado, representação que só os olhos traíam. Tinha olhar muito humano.
ResponderEliminarA vida é assim, CC. E ser velho é também isso, o j' arrive de Brel. Mas, enquanto ainda para nós há caminho, gozemos do fim de semana que até parece solidarizar-se com a tristeza, mas é fora de dúvida que só pertence aos vivos. E cada um desconhece quantos restam. É vivê-los com a alegria possível, o mais confortavelmente que conseguirmos. Em corpo e mente.
Um abraço que deseja espairecer essas nuvens. Pois se, algumas vezes, é certo o que afirma, outras existem que desmentem o seu receio.
Certo Bea, obrigada pelas palavras de conforto e esperança.
ResponderEliminaressas capas negras alimentam-se dos nossos medos. faça-lhes um manguito e mande-os.... passear. Abraço, CC
ResponderEliminarAh, ah Ana...um dia hei-de saber. Já tinha saudades de uma visitinha sua. Um abraço
Eliminareu estou sempre por cá. a sua rua também é minha casa, com a sua licença, claro :)
EliminarSério? Não imaginava...passa por aqui caladinha e de fininho...mas agradeço o passeio, afinal para que serve esta rua?!
Eliminar