quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

De tirar da própria terra

 

Trata-se de um espaço amplo, uma casa antiga que a autarquia recuperou e abriu ao público, com uma bonita esplanada interior. Duas mulheres entraram com duas jovens, estava eu a tentar beber do pouco sol que o dia tinha. Uma das mulheres apontou a parede pintada de motivos marinhos ao fundo, considerando que era bonita. Mas a outra mulher retorquiu que nada ali tinha grande interesse, que as miúdas queriam era ver lojas. E as jovens riram, abanaram a cabeça em concordância, ao que as mulher retorquiu alegremente: vamos, vamos!

E assim se enchem os centros comerciais e se compram mais e mais coisas das quais pouco ou nada precisamos. E eu que cada vez gosto menos de comprar, até comida, coisa que por muitos anos comprei em abundância e atafulhei o armário, perdoei-me muitas vezes desse excesso pela exiguidade de alimento na infância e na adolescência. Consciente dos meus mecanismos de compensação, fui procurando corrigi-los. Ainda assim não estou curada, quando um recipiente de detergente vai a meio, se não tiver outro comprado, sinto-me desconfortável. Gostava de saber viver com menos ainda e, sobretudo, de tirar da própria terra uma parte do meu alimento.

~CC~

6 comentários:

  1. A casa da Baía é linda, uma fantástica ideia que foi exímiamente concretizada. E, no entanto, sempre que lá vou está vazia, ou quase. É uma pena.

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    1. É de facto muito bonita, já fiz duas excursões para mostrá-la a amigos. Mas, salvo se entretanto tenha mudado, a oferta na dita esplanada interior é fraca. Pode ser um dos motivos de ser pouco frequentada. Umas das vezes os amigos queriam lanchar e não havia nada excepto refrigerantes e gelados.

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  2. Parece-me que está no bom caminho, CC. É louvável esse seu esforço de contenção.
    Não me julgo açambarcadora nos produtos alimentares; ter uma embalagem nova quando outra vai a meio é apenas prudente e natural, ter cinco ou mais intactas, já terá outro nome. A minha despensa é tão exígua que não daria para açambarcar e o orçamento semanal é curto, há que geri-lo para que nada falte, os supérfluos não cabem. Ainda assim, sempre que faço limpeza geral, encontro uma ou outra embalagem fora de prazo, o que me irrita qb; julgo ser por esquecê-las - são dos produtos que mais uso - e ir colocando as mais recentes na frente.
    No inverno nem tanto, mas gosto de experimentar roupa e de comprar alguma peça. Será pelo seu motivo: grande parte da vida ou não comprei ou limitei-me ao essencial e mais barato. Ainda me limito ao mais barato, mas já vou para lá do essencial. Contudo, noto que a peça que mais compro são casacos e botas confortáveis, tanto me faltaram no rigor dos invernos e a pedalar bem cedinho. Se, nos apertos da bolsa tiver de escolher entre um casaco e outra peça, o casaco vence em qualquer modalidade. As compras nas grandes superfícies gosto de fazê-las durante a manhã e, podendo, estou à abertura das lojas. Bastas vezes não sucede, até pela distância a que me encontro delas.
    Bom fim de semana, CC.

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  3. Esta sociedade colocar-nos na situação de "atracção pelo abismo". Detesto centros comerciais... mas gosto de centros comerciais.
    Um abraço.

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  4. Não consigo deixar de açambarcar certos produtos cujo preço subiu em flecha e encontro no supermercado em promoção. Falo de azeite (agora já está a baixar) e de café.
    Para além desta utilidade, também gosto de comprar garrafas de vinho, não para consumo no imediato, mas para enriquecer a garrafeira. Manias...
    Contudo, há uma coisa que deixei de comprar há anos e que comprava muito: cd's.

    Adoro ir a centros comerciais. A sério. Enquanto as minhas mulheres percorrem as lojas, entrego-me à leitura durante duas horas sem interrupções
    Um luxo!

    Boa tarde CC

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  5. a doutrina do consumismo entra-nos pelos "olhos dentro" a cada segundo e é difícil a abstração total.
    hoje gosto cada vez mais da liberdade de não comprar, exceção feita aos livros e à música em vinil

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