Trata-se de um espaço amplo, uma casa antiga que a autarquia recuperou e abriu ao público, com uma bonita esplanada interior. Duas mulheres entraram com duas jovens, estava eu a tentar beber do pouco sol que o dia tinha. Uma das mulheres apontou a parede pintada de motivos marinhos ao fundo, considerando que era bonita. Mas a outra mulher retorquiu que nada ali tinha grande interesse, que as miúdas queriam era ver lojas. E as jovens riram, abanaram a cabeça em concordância, ao que as mulher retorquiu alegremente: vamos, vamos!
E assim se enchem os centros comerciais e se compram mais e mais coisas das quais pouco ou nada precisamos. E eu que cada vez gosto menos de comprar, até comida, coisa que por muitos anos comprei em abundância e atafulhei o armário, perdoei-me muitas vezes desse excesso pela exiguidade de alimento na infância e na adolescência. Consciente dos meus mecanismos de compensação, fui procurando corrigi-los. Ainda assim não estou curada, quando um recipiente de detergente vai a meio, se não tiver outro comprado, sinto-me desconfortável. Gostava de saber viver com menos ainda e, sobretudo, de tirar da própria terra uma parte do meu alimento.
~CC~
A casa da Baía é linda, uma fantástica ideia que foi exímiamente concretizada. E, no entanto, sempre que lá vou está vazia, ou quase. É uma pena.
ResponderEliminarÉ de facto muito bonita, já fiz duas excursões para mostrá-la a amigos. Mas, salvo se entretanto tenha mudado, a oferta na dita esplanada interior é fraca. Pode ser um dos motivos de ser pouco frequentada. Umas das vezes os amigos queriam lanchar e não havia nada excepto refrigerantes e gelados.
EliminarEra o antigo orfanato, onde os miúdos aprendiam ofícios como de tipografo, está lá ainda muito material e há a ideia de um museu, para além da Baía à qual presta homenagem, assim como à Associação de Baías mais bonitas de todo o mundo. Tem também um centro dedicado ao golfinho roaz do Sado que poucas pessoas descobrem onde é e visitam. Enfim, muito além de um café...
EliminarParece-me que está no bom caminho, CC. É louvável esse seu esforço de contenção.
ResponderEliminarNão me julgo açambarcadora nos produtos alimentares; ter uma embalagem nova quando outra vai a meio é apenas prudente e natural, ter cinco ou mais intactas, já terá outro nome. A minha despensa é tão exígua que não daria para açambarcar e o orçamento semanal é curto, há que geri-lo para que nada falte, os supérfluos não cabem. Ainda assim, sempre que faço limpeza geral, encontro uma ou outra embalagem fora de prazo, o que me irrita qb; julgo ser por esquecê-las - são dos produtos que mais uso - e ir colocando as mais recentes na frente.
No inverno nem tanto, mas gosto de experimentar roupa e de comprar alguma peça. Será pelo seu motivo: grande parte da vida ou não comprei ou limitei-me ao essencial e mais barato. Ainda me limito ao mais barato, mas já vou para lá do essencial. Contudo, noto que a peça que mais compro são casacos e botas confortáveis, tanto me faltaram no rigor dos invernos e a pedalar bem cedinho. Se, nos apertos da bolsa tiver de escolher entre um casaco e outra peça, o casaco vence em qualquer modalidade. As compras nas grandes superfícies gosto de fazê-las durante a manhã e, podendo, estou à abertura das lojas. Bastas vezes não sucede, até pela distância a que me encontro delas.
Bom fim de semana, CC.
Temos a tendência em nos compensar daquilo que nos foi privado, é legítimo. Mas comprar nos saldos é inteligente, sobretudo o mais caro. Tenho pouco gosto em ver lojas, a não ser...livrarias e também adoro artigos de papelaria.
EliminarUm resto de bom fds Bea (havia festa na Cabrela, não foi?)
Esta sociedade colocar-nos na situação de "atracção pelo abismo". Detesto centros comerciais... mas gosto de centros comerciais.
ResponderEliminarUm abraço.
As contradições fazem parte do nosso percurso, estar consciente delas é bom, demonstra-nos que exigir aos outros o que nós próprios não conseguimos, não é bom. A lucidez é a única exigência.
EliminarNão consigo deixar de açambarcar certos produtos cujo preço subiu em flecha e encontro no supermercado em promoção. Falo de azeite (agora já está a baixar) e de café.
ResponderEliminarPara além desta utilidade, também gosto de comprar garrafas de vinho, não para consumo no imediato, mas para enriquecer a garrafeira. Manias...
Contudo, há uma coisa que deixei de comprar há anos e que comprava muito: cd's.
Adoro ir a centros comerciais. A sério. Enquanto as minhas mulheres percorrem as lojas, entrego-me à leitura durante duas horas sem interrupções
Um luxo!
Boa tarde CC
Quem o leia até fica a pensar que gostar de compras e de lojas é um exclusivo feminino mas....não é. Sei que é a sua experiência que partilha...mas essas "suas mulheres" não gostam de ler ou de comprar vinho? Tenho umas amigas que sabem mais de vinho do que muitos homens, já eu sou uma nódoa...conheço 3 ou 4 marcas e consumo pouco e sempre as mesmas. Bom sábado Joaquim...e cuidadinho com o açambarcamento do azeite:)
Eliminara doutrina do consumismo entra-nos pelos "olhos dentro" a cada segundo e é difícil a abstração total.
ResponderEliminarhoje gosto cada vez mais da liberdade de não comprar, exceção feita aos livros e à música em vinil
É boa a regra...para termos excepções! E as suas, aos meus olhos, são das boas:)
Eliminartirar da terra uma pequena parte de alimento nã é complicado, só complica se a ideia for tirar muito do alimento, ou ainda, se houver outros seres que também se alimentem dessa mesma terra :D acredite caríssima, até de um vaso dentro de casa se conseguem verdadeiros milagres. comece pelos tomateiros e pimentos, que já se podem semear recolhidos, ou umas alfaces. o difícil é realmente mudar mentalidades, comprar novo é muito atrativo. eu próprio luto bastante contra essa tentação, mas às vezes parece que nã tenho escapatória. foi o que aconteceu com o homem que queria comprar um carrinho de linha preta e uma agulha :D
ResponderEliminarEu já tive na varanda um loureiro, pimentos, tomates e até alfaces...mas nada vinga muito e acabam por morrer porque a varanda é muito ventosa e o vento é às vezes bem gelado (há por aí uns deuses malvados). Já as de interior...estão a crescer a olhos vistos (hei-de colocar aqui uma imagem) mas não são comestíveis...se a sala fosse grande, ainda colocava no interior uma fileira de plantas comestíveis mas teria que as tirar de cada vez que houvesse mais alguém aqui a conviver à mesa...assim sendo estou a guardar-me para aquele bocadinho de terra meu ou uma horta comunitária como a da Ana...a sua não sei...
EliminarVaim...mas justamente ele recusa comprar novo, quer arranjar o que tem e por isso vai em busca da agulha e da linha...mas hoje em dia mais fácil comprar novo e deitar fora do que arranjar alguma coisa, passei por isso há pouco tempo, queria arranjar uma janela e não consegui, só orçamento para uma janela nova! Espero que esteja a gostar do livro...sei que não é uma escrita fácil mas eu gostei (mas só li esse até agora). Depois conte o que achou.