A propósito da frase inocente de uma adolescente face ao seu mentor nesse programa para mim tão atraente quanto repulsivo em que se cantam canções pela noite dentro (oh, mas isso era toda uma discussão sobre prós e contras). Disse-lhe ela: é a pessoa mais maravilhosa que eu conheci.
Teremos mestres? Hoje pouco reconheço tal devoção ou mesmo simples admiração ou sequer reconhecimento nos jovens com os quais trabalho. Creio que não há deslumbre e é raro que um ser humano reconheça num outro o que ele tem para lhe ensinar ou o que lhe ensinou. A grande rede (Internet) parece ser o grande mestre.
Perguntei-me pelos meus mestres. É verdade que também nunca fui de admirações intensas e muito menos de seguir pessoas, correntes, sequer vestir a camisola das escolas ou academias por onde passei, pelo contrário, fiz cada grau académico em escolas diferentes e com pessoas diversas em quase tudo. Recusei com custos o percurso linear em que nos ligamos a uma persona académica. No entanto, sou capaz de reconhecer pessoas com as quais aprendi coisas, me mostraram caminhos, me trouxeram outros horizontes. Estavam elas próprias em diversos contextos. E apesar de acontecer menos agora, sim, há ainda alguns deslumbramentos que me acontecem. E por deslumbramento não falo nos minutos em que fico a olhar para a Maria João Pires a tocar piano, esse também acontece, esse reconhecimento do valor do outro, do seu talento. O deslumbramento a que aqui me refiro é aquele que acontece na relação que tecemos com alguém com quem nos cruzamos efectivamente, alguém que nos dá a mão de e nos leva a olhar a Oliveira que sempre vimos com um olhar diferente ou pelo menos de outros ângulos.
~CC~