sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Natal, com os meus vivos e os meus mortos.

 


Estava apenas para lhe chamar: os meus mortos neste Natal. Mas talvez fosse demasiado tétrico. Quando o meu coração desliza para abraçar os meus mortos e permanecer na tristeza sem fim da sua ausência, sinto-me tão injusta com os meus vivos, que abandono rapidamente os meus mortos.

Porém, se o meu coração se alegra com a presença dos meus vivos e se ilumina na ventura desse contacto que irá durar alguns dias, logo os mortos me chamam para reclamar da minha presença, da minha tristeza.

Dantes o meu Natal não tinha mortos, o meu pai partiu há mais de dez anos mas foram tantos os Natais que passei sem ele que não reclamava pela minha tristeza. Agora sim, estas duas mulheres que partiram, uma já tão idosa e outra ainda tão jovem, elas sim, amiúde aparecem a conversar comigo. 

Não tenho as laranjas mãe, não tenho a certeza sobre o teu pudim, as filhoses já sabes, deixei de as fazer por falta de espaço e de apoio. 

Tenho os teus brincos amiga, irei colocá-los. Não haverá telefonema no dia anterior, todos estes anos houve. Mas falarei contigo um bocadinho junto ao mar, afinal há muito que o telefone já não tem fios.

Tenho de cuidar dos vivos. 

~CC~

NOTA IMPORTANTE: Aos amigos aí desse lado, rostos invisíveis que tantas vezes me enviam abraços que muito agradeço e valorizo, desejo que possam ter alguém a quem abraçar realmente nestas festas, não há nada como isso. 




7 comentários:

  1. Vivos e mortos, não sei viver sem eles. Acredito que a força me venha já mais dos mortos que dos vivos, mas pode não ser verdade. Que me lembre, não perdi qualquer amiga (falo mesmo de amizade e não de pais e mães ou outros familiares). Amigo é quem tu escolhes? Também tenho cada vez mais dúvidas nisso, porque não escolhes apenas sentes que sim, que há sintonia. Podes aceitá-la ou não, é verdade. Mas quem é que hoje, em seu juízo perfeito, recusa uma amizade autêntica, quando tão poucas sentimos que o são.
    Meu irmão dá uns abraços extraordinários e calorosos qb. Mas está muito longe. Restam as metáforas.
    Bom natal também para si, CC.

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  2. É verdade, querida CC, não há nada como um abraço.
    Obrigada por essas palavras e pela presença amiga, pela dádiva da tranquilidade, pelo calor.
    Um abraço também daqui deste lado, com amizade e carinho.
    Boas Festas!

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  3. Também tenho a minha lista de mortos.
    Aqui vai o abraço do costume.

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  4. Sinta também o meu abraço. Ele está aí, garanto ❤️

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  5. É verdade CC, estamos num ciclo da vida que presentes e ausentes se balançam entre si até que um dia, nós próprios...
    Bem, vamos pensar que estamos vivos e enquanto tal temos a obrigação de dar alento, alegria e se possível felicidade aos que nos rodeiam.
    Um abraço CC (mais um).
    PS: também falo sozinho, nem sempre junto ao mar.

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  6. Meus amigos, a todos o meu obrigada por terem vindo.

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