Não, eu não vinha de um grupo de teatro amador.
Não, eu não vinha de um grupo de teatro da escola.
Não, eu não ia com os meus pais ao teatro.
Algures na infância, lembro-me das pequenas peças de teatro feitas em família, não sei de onde vinha o gosto ou como começou, nem quem nos apoiava, vagas memórias de uns tios e tias alinharem com os miúdos.
Por isso entrei na sala escura por um acaso delirante, diretamente do subúrbio, adolescente tímida e ignorante. E lá dentro encontrei quase tudo, foi como um labirinto onde cada corredor levava a um outro e mais outro, passava duas vezes no mesmo lugar para perceber melhor e a saída não importava. Deslumbrei-me com as sonoridades das palavras, a textura possível de colocar em cada gesto, o formato dos rostos e das suas máscaras, as diferentes formas que um corpo podia ter.
O choro e o riso não eram mais algo a esconder no interior do ser, eram tão bem vindos.
Aconteceu-me o Teatro, foi vida, nunca profissão.
~CC~
A profissão foi-me vida e o teatro vida dentro da vida, criação conjunta. Hoje é outra coisa.
ResponderEliminarA CC, não. Ama o teatro por ele mesmo, como uma descoberta, um lugar onde está a contento. Parabéns.
Uma descoberta e onde me descubro sempre, hoje de outra forma, menos praticante mas ainda assim espectadora atenta.
EliminarA ideia de que „aconteceu“ sugere um encontro inevitável, quase como um destino que moldou quem a CCT é.
ResponderEliminarSim, foi essencial na minha formação como pessoa.
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