Estava a vê-lo intrigada há um bom bocado. Um homem talvez da minha idade, talvez mais velho. Não consegui distinguir-lhe as feições pois mantinha o capuz colocado. Estava parado a olhar para a bancada dos bolos de aniversário, quase com o nariz colado à vitrine. Eram bonitos os bolos, com muitas cores, texturas e brilhos, também fico sempre maravilhada com essa arte de quem os confecciona. Mas tanto tempo?! Quereria um e não teria dinheiro? Planeava fazer ir pelos ares aquela vitrine? Estava com algum problema e não era capaz de sair dali, nem de se sentar?
Acabei o café e já não tinha tempo de prolongar mais a minha observação e muito menos de obter resposta para as minhas questões. A chuva intensa (ainda me lembro de quando não se saia de casa por causa dela) tinha subitamente parado. Saí, já ia na rua e instantaneamente voltei-me para trás, ali estava, mesmo perto de mim, o homem da vitrine.
Ri-me de mim própria, afinal era simples.
~CC~
Uma crónica com uma ponta de mistério e com um final sem final.
ResponderEliminarUm abraço.
Tem final sim, leia lá outra vez...
EliminarPresumo que estava a olhar para a rua, através da vitrina, a ver se a chuva parava. Quando parou saiu a seguir a si. Correto?
EliminarAgora sim! 🙂
EliminarÀs vezes é uma manhã de sol. Outras é uma frase trocada com um desconhecido no café enquanto tomamos a primeira bica.
ResponderEliminarNunca se sabe. A mais pequena coisa, mesmo uma coisa de nada, pode, de repente, fazer despertar a primavera no coração de uma pessoa.
E continuamos o nosso caminho rua fora, mas mais leves e soltos, como se cantássemos e corrêssemos descalços.
Certo...mas impõe-se a pergunta: o que fazia o senhor tanto tempo parado junto à vitrine? A resposta está lá...consegue descobrir?
EliminarA resposta está lá … afinal era simples.
EliminarPois está sim senhora!
EliminarDepreendo que seria um velho conhecido seu, CC.
ResponderEliminarBom Dia
Ah, Bea...não o conhecia de todo. Ele sai quando eu saio e talvez por um motivo semelhante😊. E tinha lá estado todo aquele tempo pelo motivo contrário, ou seja a vitrine dos bolos era um pretexto para quem não quer ou não pode consumir nada.
ResponderEliminarTambém gosto de ficar a olhar a vitrine dos bolos; e só não fico mais tempo para não parecer ridícula. Há uma confeitaria onde sempre páro a olhá-los; de dentro ou do exterior, os meus olhos festejam-na. Há coisas simples que proporcionam certo bem estar:)
ResponderEliminarBom dia, CC
Sim certamente...mas acredito sinceramente que o objetivo dele era simplesmente resguardar-se da chuva sem ser obrigado a consumir...e comprovei que não tinha guarda chuva. Boa tarde Bea.
Eliminarcada vez fazem mais falta as coisas simples
ResponderEliminarIsso...e algum sentido de humor, coisa que fui adquirindo devagarinho.
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